REFLEXÕES DÚVIDAS E COMENTÁRIOS

Saturday, November 11, 2006


Fabricação do Papel
O processo de fabricação do papel consiste ainda em misturar fibras vegetais desintegradas com água e espalhar, em seguida, essa mistura igualmente sobre uma armação ou molde de rede, através dos quais a água se escoa, deixando uma película de fibras empastadas, que, depois de seca, constitui o papel. As únicas alterações do método verificaram-se na preparação das fibras e na construção dos moldes. Nas operações dos antigos fabricantes, desfaziam-se primeiro os trapos em água e colocava-se a polpa resultante numa cuba ou tina; conservava-se a mistura quente enquanto fosse possível, e um operário mexia-a constantemente com uma vara até atingir uma consistência satisfatória para a passagem seguinte. Mo molde era uma rede de arame, guarnecida em volta com uma armação resistente. Outra armação desmontável, colocada sobre aquele, determinava o tamanho da folha de papel. O molde era mergulhado perpendicularmente no líquido e depois colocado na posição horizontal. É possível que os fabricantes orientais tenham vasado as fibras misturadas com água ou polpa nos moldes; mas, pelo menos, desde o século XII, quando a indústria entrou em Espanha, o método devia ter sido mergulhar o molde na tina de polpa e trazê-lo à superfície com a quantidade desejada de fibra.O operário, ao levantar o molde do líquido, agitava a polpa que ficava sobre a rede, primeiro numa direção e depois noutra, em sentidos perpendiculares. Este processo obrigava a cruzar e a acamar as fibras, tornando o papel igualmente resistente. Quando as fibras estavam devidamente acamadas, retirava-se a moldura de madeira que marcava o tamanho da folha, deixando no papel uma borda de farripas levemente irregular que veio a ser conhecida por “borda de cobertura” ou simplesmente “cobertura”. O molde passava depois para um segundo operário, designado por “acamador”, enquanto o primeiro começava a mergulhar nova folha, usando um outro molde mas com a mesma cobertura. Depois de água se escoar da folha, o acamador virava-a sobre um bocado de tecido de lã ou de feltro e, quando o levantava de novo, a folha húmida aderia ao tecido. Colocava-se outro pedaço de feltro por cima dele, pronto a receber a folha seguinte que vinha da tina. Repetiam-se estas operações até se arranjar uma pilha de folhas de papel separadas por bocados de feltro; colocava-se em seguida esta pilha numa prensa de rosca que se apertava para expelir toda a água possível. Depois da compressão retiravam-se as tiras de feltro, já sem nada entre elas, era de novo prensada. As folhas separavam-se depois, colocavam-se por ordem diferente e comprimiam-se mais uma vez. Quanto mais vezes se repetia esta passagem, tanto mais macio se tornava o papel. Secava-se a seguir, pendurando-o em grupos de quatro ou cinco folhas sobre cordas de pelo de vaca ou de cavalo. Se se pendurasse as folhas separadamente, enrugar-se-iam; mas daquela maneira secavam perfeitamente lisas. Uma operação final consistia na impermeabilização das folhas por meio de um banho numa cola, seguido de prensagem e secagem. A cola impedia que o papel embebesse a tinta. Os moinhos do século XIII, em Fabriano, alcançaram extraordinário êxito, em parte devido à introdução da cola animal naquele processo.Todo o papel antigo era de fabrico Manuel e com o molde de rede. Só nos meados do século XVIII, apareceu o “papel tecido”, ou “velino” cuja invenção se atribuiu a John Baskerville, minucioso impressor de Birmingham, Inglaterra. Fabricava-se com o auxílio de uma rede de arame de contextura finíssima que não deixava nenhum vestígio das suas marcas na folha acabada. Na fabricação mecânica, substitui-se a rede do molde manual por uma passadeira sem fim de rede de arame, sobre a qual se faz correr a polpa preparada nas batedeiras mecânicas. Quando a rede avança, a água da polpa escorre, deixando ficar a película de fibras. Em seguida um cilindro de feltro passa pela rede em movimento e, com a maior aderência, levanta a teia de fibras acamadas e leva-a através de cilindros secadores, aquecidos a vapor, que servem para comprimir e para evaporar também a humidade. Depressa esta teia está suficientemente bem formada para ter consistência; separa-se então do feltro para continuar a sua trajectória através de outros cilindros secadores. Na extremidade da máquina, o papel já fabricado é enrolado numa bobina.Os papéis que vulgarmente se usam para a impressão de belas ilustrações e impressão a cores e outras, antes de serem cortados em folhas passam por outra operação, a chamada calandragem, que consiste na aplicação de uma mistura de caseína ou de glucose, argila e de alguns outros ingredientes sobre a superfície, tornando-os extremamente macios e capazes de receber a impressão de gravuras de rede fina e de meio tom.

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